As sonoridades afro e indígenas ocupam o centro da programação da 28ª edição do Sonora Brasil em 2026. Com o tema “Reverberações Afro e Indígenas”, o projeto propõe uma escuta voltada a expressões musicais que atravessam tempos, territórios e modos de vida, reconhecendo essas presenças não apenas como matrizes da formação cultural brasileira, mas como forças vivas de criação, permanência e reinvenção.
Entre os dias 4 e 27 de agosto, quatro grupos representativos de diferentes regiões do país passam por Lages, Criciúma e Joinville, em um circuito que reúne apresentações musicais, intercâmbios e ações formativas. A programação contempla os espetáculos "Salvaguarda" do grupo baiano Cabokaji; “Ancestral-Futuro”, do coletivo Nderé Oblé, do Rio Grande do Sul; o show das Suraras do Tapajós, do Pará; e “Confluências”, de Gean Ramos Pankararu, de Pernambuco. As apresentações são gratuitas mediante ingresso solidário, com a arrecadação de itens de higiene pessoal destinados ao Projeto Arte de Doar – Programa Novos Caminhos.
A edição parte da compreensão de que as referências afro e indígenas não pertencem somente ao passado nem se restringem a elementos pontuais da música brasileira. Elas se manifestam em espiritualidades, paisagens, comunidades, formas de cantar, dançar, tocar, celebrar e narrar o mundo.
Cabokaji une ancestralidade, performance e experimentação
A programação do Sonora Brasil inicia com “Salvaguarda”, espetáculo do Cabokaji, que será apresentado em Lages (4/8), em Criciúma (5/8), e em Joinville (6/8). O grupo combina música e performance em uma proposta sensorial que aproxima o público de uma dimensão ritual. Inspirado por encantamentos, forças da floresta e dimensões simbólicas da terra, o show articula referências pindorâmicas e afro-brasileiras com elementos eletrônicos e dançantes.
Originário da cena contemporânea baiana, o Cabokaji é uma plataforma artística que cruza música, performance e pensamento a partir das matrizes indígeno-pindorâmica e afro-brasileira.
A figura do Cabôco é uma referência simbólica e ritualística para o grupo e está presente em tradições como o tambor de mina, a umbanda e os candomblés de nação Bantu, Jêje e Kêto, além de outras religiosidades relacionadas às ciências e medicinas nativas de Pindorama.
Programação
Lages
- 04/08 (terça-feira) | Às 19h
- Local: Teatro Sesc Lages (Avenida Dom Pedro II, 1693, Universitário).
Criciúma
- 05/08 (quarta-feira) | Às 19h30
- Local: Auditório Senac Criciúma (R. Henrique Lage, 560, Centro).
Joinville
- 06/08 (quinta-feira) | Às 20h.
- Local: Teatro Sesc Joinville (Rua Itaiópolis, 470, América).
Nderé Oblé constrói pontes entre memória e futuro
Na sequência, o Sonora Brasil recebe o Nderé Oblé, com o espetáculo “Ancestral-Futuro”. As apresentações serão realizadas em Lages (11/8), em Joinville (12/8), e em Criciúma (13/8). O espetáculo atravessa tempos, sons e territórios por meio do encontro entre vozes, percussões, instrumentos de corda e elementos eletrônicos. O repertório reúne canções autorais, poesia e memórias de travessia, estabelecendo conexões entre oralidade, corpo e tecnologia. Percussões e samples, sons da natureza e ruídos elétricos, canto e escuta se aproximam em uma construção musical que busca relacionar passado, presente e futuro.
Nascido em Porto Alegre, o Nderé Oblé reúne os trabalhos autorais de Dessa Ferreira (DF), Loua Pacom, da Costa do Marfim, Odériê Chayúa (RS) e Dona Conceição (RS). Idealizado pela artista, produtora musical e curadora Dessa Ferreira, o projeto surgiu dos encontros entre artistas afro-brasileiros, indígenas e imigrantes africanos no Rio Grande do Sul.
Programação
Lages
- 11/08 (terça-feira) | Às 19h
- Local: Sala de Cinema do Centro Cultural Vidal Ramos (Rua Vidal Ramos Junior, 152, Centro).
Joinville
- 12/08 (quarta-feira) | Às 20h
- Local: Teatro Sesc Joinville (Rua Itaiópolis, 470, América).
Criciúma
- 13/08 (quinta-feira) | Às 19h30
- Local: Auditório Senac Criciúma (R. Henrique Lage, 560, Centro).
Suraras do Tapajós afirmam a força das mulheres indígenas
A programação segue com as Suraras do Tapajós, primeiro grupo de carimbó formado exclusivamente por mulheres indígenas no Brasil. O grupo se apresenta em Lages (17/8), em Criciúma (18/8), e em Joinville (19/8). Originárias de Alter do Chão, em Santarém (PA), território do povo Borari, as Suraras transformam o palco em um espaço de afirmação cultural, política e estética. A música tradicional amazônica se encontra com o protagonismo feminino indígena e com a defesa dos territórios da floresta, em uma apresentação que evidencia a força das mulheres indígenas na preservação e na renovação das tradições culturais.
O repertório mescla composições autorais e clássicos da música paraense, com letras que abordam a natureza, a força feminina, a ancestralidade indígena e a relação profunda com as águas e a terra. Parte das canções é interpretada em Nheengatu, língua falada por povos do Baixo Tapajós, reforçando o compromisso do grupo com a valorização e a preservação das línguas e dos saberes originários.
Programação
Lages
- 17/08 (segunda-feira) | Às 19h
- Local: Teatro Sesc Lages (Avenida Dom Pedro II, 1693, Universitário).
Criciúma
- 18/08 (terça-feira) | Às 19h30
- Local: Auditório Senac Criciúma (R. Henrique Lage, 560, Centro).
Joinville
- 19/08 (quarta-feira) | Às 20h
- Local: Teatro Sesc Joinville (Rua Itaiópolis, 470, América).
Gean Ramos Pankararu apresenta encontro entre ancestralidades
Encerrando o circuito, o cantor, compositor e produtor musical Gean Ramos Pankararu apresenta o espetáculo “Confluências”. O show será realizado em Joinville (25/8), em Criciúma (26/8), e em Lages (27/8). No encontro entre a resistência negra e a ancestralidade indígena, o espetáculo propõe um manifesto musical que valoriza as vozes dos territórios Pankararu e recupera a história de aproximação entre povos que contribuíram para a formação da identidade brasileira. O espetáculo busca construir um espaço de memória, reconhecimento e afirmação cultural.
Natural da Aldeia Pankararu, no município de Jatobá (PE), Gean Ramos Pankararu atua como cantor, compositor, produtor musical, roteirista e articulador cultural. Com mais de duas décadas de carreira, é reconhecido como um dos precursores da música indígena contemporânea no Brasil.
É autor de seis álbuns e vencedor de prêmios como o Festival Edésio Santos da Canção, o São Paulo ExpoSamba e o Prêmio Grão de Música. Também foi indicado ao Indigenous Music Awards (Canadá) e ao Grammy Latino.
Programação
Joinville
- 25/08 (terça-feira) | Às 20h
- Local: Teatro Sesc Joinville (Rua Itaiópolis, 470, América)
Criciúma
- 26/08 (quarta-feira) | Às 19h30
- Local: Auditório Senac Criciúma (R. Henrique Lage, 560, Centro).
Lages
- 27/08 (quinta-feira) | Às 19h
- Local: Sala de Cinema do Centro Cultural Vidal Ramos (Rua Vidal Ramos Junior, 152, Centro).
Sobre o Sonora Brasil
A 28ª edição do Sonora Brasil, Reverberações Afro e Indígenas, propõe uma escuta de sonoridades como presenças vivas, diversas e em permanente movimento na música brasileira. A proposta reconhece que essas matrizes atravessam territórios, espiritualidades, modos de vida, formas de cantar, tocar, dançar e criar, compondo camadas fundamentais da formação cultural do país.
Reverberações Afro e Indígenas olha para esse patrimônio como algo em movimento. Não se trata de opor tradição e contemporaneidade, raiz e experimento, ancestralidade e tecnologia. Ao contrário: a proposta é perceber como essas dimensões convivem, se alimentam e se entrelaçam continuamente. A música que nasce desses encontros não cabe em fronteiras rígidas. Ela pulsa entre o antigo e o agora, entre o ritual e o palco, entre o território e a circulação, entre o pertencimento e a abertura ao mundo.
Sobre o Sesc-SC
O Serviço Social do Comércio de Santa Catarina (Sesc-SC) é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Fecomércio, Sesc e Senac SC, sob a presidência do empresário Hélio Dagnoni. Desde 1946, o Sesc transforma para melhor a vida de milhares de pessoas, se destacando pelo caráter social e atuação em todo o país.
O conjunto de iniciativas ao longo destes 80 anos representa o efetivo empenho dos empresários do comércio de bens, serviços e turismo em prol da missão da Instituição de: “promover ações socioeducativas que contribuam para o bem-estar social e a qualidade de vida dos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, de seus familiares e da comunidade, para uma sociedade justa e democrática”. Entre as principais atribuições do Sesc estão o planejamento e a execução de ações marcadas pela excelência nas áreas de Educação, Saúde, Cultura, Lazer e Assistência, com vasta oferta de eventos e serviços.
A Instituição está presente em todas as regiões do estado, com 65 pontos de atendimento em 37 municípios. São 33 unidades operacionais, dez unidades do Sesc Comunidade, três meios de hospedagem, um museu, um centro cultural e seis unidades móveis, que levam serviços gratuitos a outras localidades. Além disso, conta com redes de escolas, restaurantes, clínicas, teatros, bibliotecas, academias, entre outros espaços onde desenvolve suas ações.
Educação Infantil, Ensino Fundamental, Contraturno Escolar, Educação de Jovens e Adultos (EJA), atividades de saúde preventiva, de incentivo à prática de atividades físicas e esporte, Odontologia, Nutrição, Cinema, Teatro, Música, Artes Visuais, Dança, Desenvolvimento Comunitário, Trabalho Social com Pessoas Idosas (TSPI), Trabalho Social com Grupos (TSG), compõem o amplo leque de atividades que o Sesc oferece aos trabalhadores do comércio de bens, serviços, turismo, seus familiares e à comunidade em geral. São ações que favorecem crianças, jovens, adultos e idosos e provocam reais transformações em suas vidas.
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