80 anos delas, 80 anos do Sesc: histórias que se encontram


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10/09/2026 - Atualizado em 10/09/2026

Memória Sesc

Há histórias que atravessam gerações. E há encontros que ajudam a escrever novos capítulos.

No dia 13 de setembro de 2026, o Sesc celebra 80 anos de uma trajetória dedicada à promoção da educação, saúde, cultura, lazer e assistência. No mesmo ano, Maria Helena, Roseli, Iolanda, Rute e Eunice, participantes do Trabalho Social com Pessoas Idosas do Sesc-SC, também chegam aos 80 anos de vida.

A coincidência das datas é apenas o começo desta história. O que realmente importa está nos vínculos construídos ao longo do caminho e no significado que o Sesc ganhou na vida de cada uma delas.

São mulheres com trajetórias diferentes, mas que compartilham algo em comum: a vontade de permanecer ativas, conviver, aprender, fazer novas amizades e aproveitar cada possibilidade que a vida oferece.

Para elas, o Sesc não é apenas o lugar onde participam de uma atividade durante a semana. É um espaço de encontro, movimento, aprendizado e, muitas vezes, de transformação.

Maria Helena: novos caminhos para viver

No Sesc Lages, Maria Helena Borges Branco participa do Mente Ativa desde fevereiro de 2023. Quando chegou, era muito tímida e costumava ficar quietinha, apenas ouvindo as histórias dos colegas. Com o tempo, os desafios propostos pela equipe do Sesc ajudaram a despertar uma nova Maria Helena. Hoje, ela conversa com todos, fez novas amizades e até voltou a frequentar os bailinhos da cidade.

“Melhorei muito, pois era muito tímida. Aqui abriram a minha mente. Converso com todos. Até minha família comenta que depois do Mente Ativa fiquei mais solta”, conta.

Aos 80 anos, ela olha para trás com orgulho de tudo o que enfrentou. Criou quatro filhos sozinha e considera uma vitória vê-los bem hoje. Também valoriza a autonomia que conquistou e mantém em sua rotina.

“Da minha liberdade. Vou onde quero e volto quando quero. Isso não tem preço.”

No Sesc, encontrou um espaço para continuar essa vida ativa. “Sou grata por minha filha ter comentado sobre o Sesc. Posso conhecer pessoas, sou muito feliz aqui, fico esperando o dia da atividade.” 

E define o que a instituição representa de uma maneira simples e carinhosa: 

O Sesc é um amigo do coração, um companheiro que ajuda a sair da solidão.”

Depois dos 80, os planos continuam: cuidar da saúde, passear mais e fazer novas amizades.

Roseli: onde a distância vira detalhe

Também cliente do Sesc Lages, Roseli Maria Calomeno descobriu as atividades do Sesc por meio da família. Ela participa assiduamente do Mente Ativa. Para estar no grupo das quintas-feiras, ela percorre cerca de 85 quilômetros de Ponte Alta do Norte até Lages — e outros 85 quilômetros para voltar para casa. São aproximadamente 170 quilômetros percorridos toda semana por algo que, para ela, não tem preço: um momento dedicado a si mesma.

“Vim para experimentar e não penso mais em sair daqui. Gosto muito das dinâmicas, pois é muito produtivo, além das amizades que tenho aqui.”

Além do Mente Ativa, Roseli participa de praticamente todos os passeios oferecidos aos grupos da Assistência. Aos 80 anos, continua fazendo suas próprias atividades e também ajudando nos negócios da família.

“Gosto da possibilidade de continuar fazendo minhas coisas. Ainda faço um pouco de tudo.”

Quando pensa no encontro com o Sesc, resume em poucas palavras: 

Sorte a minha ter encontrado o Sesc. Representa um pedaço dos meus momentos felizes.”

E os sonhos não param. Entre eles está conhecer a Itália, descobrir um pouco mais de sua cultura e também conhecer a história de sua própria família.

Rute: uma vida de coragem, cuidado e doação

A história de Rute Garcez é marcada pela palavra superação. Ao longo da vida, enfrentou dificuldades, criou sozinha os quatro filhos, trabalhou para garantir os estudos deles e cuidou da família em diferentes momentos. Também ajudou a criar os netos e hoje segue acompanhando de perto as duas filhas. Ao mesmo tempo em que se dedica à família, ela encontrou no Sesc um espaço para cuidar de si, manter-se ativa, cultivar amizades e fazer o que gosta.

Ela frequenta o Sesc Estreito em Florianópolis há 16 anos e mantém uma rotina de atividades. O Pilates faz parte de sua vida há todo esse tempo. Agora, também quer voltar para a Dança Circular.

“Eu amo estar no Sesc. Sem o Sesc, não sou nada.”

Aos 80 anos, completar essa trajetória é, para ela, uma conquista. “Pensei que não ia chegar aos 80 anos, mas cheguei. Sou uma pessoa realizada, sou uma pessoa feliz, porque tudo já passou. Agora é só coisa boa.”

Rute também encontrou uma forma de transformar aquilo que sabe fazer em cuidado com o outro. Dedica-se ao tricô e ao crochê e participa da produção de peças para doação.

“Me sinto gratificada. É uma coisa assim... meu Deus, que coisa boa poder fazer alguma coisa por outra pessoa.”

Para quem ainda não conhece o Sesc, deixa um convite direto: 

Quem não está no Sesc, faz favor de entrar. Eu não consigo viver sem o Sesc.”

Iolanda: mente ativa e coração aberto