Antes mesmo de as luzes se voltarem para o palco, crianças, pais, avós, artistas e espectadores de diferentes idades compartilhavam a expectativa pelo início do espetáculo que abriu o 28º Palco Giratório em Santa Catarina. Logo na entrada do Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), em Florianópolis, bonecos da Cia Peregrino de Teatro receberam o público entre bolinhas de sabão, transformando a chegada ao teatro em parte da própria experiência artística. O evento na noite de 3 de junho deu início à programação do projeto que, até 19 de junho, reunirá em Florianópolis espetáculos de teatro, dança e circo de diferentes estados brasileiros, além de atividades de intercâmbio e reflexão sobre as artes da cena.
Com a plateia lotada, o espetáculo “Infinito”, da Márcio Fidelis Cia. de Dança e da Cooxia Coletivo Teatral, conduziu o público por uma história que conectou memória, afeto e ancestralidade. Voltada para todas as idades, a montagem acompanha a trajetória de Tayó, um menino profundamente ligado à avó que, após sua partida, inicia uma jornada de descobertas guiada por figuras inspiradas nas manifestações populares da Bahia. Pela dança e pelo teatro, a obra propõe uma reflexão sensível sobre os ciclos da vida, a morte e os vínculos que permanecem.
Entre as crianças que assistiram ao espetáculo, estava Luana Spinelli, acompanhada dos pais e da irmã. “Uma das coisas de que mais gostei foi a forma como eles apresentam o espetáculo. Parece que, quando dançam, vão contando a história. Acho muito legal a maneira como abordam temas como a morte, a vida e os ciclos da existência de forma sensível e bonita, especialmente para as crianças”, afirma. Para a mãe Caroline Spinelli, o contato frequente com os espetáculos ajuda a construir memórias que ultrapassam o momento da apresentação. “Desde muito pequena, elas acompanham apresentações de teatro. Acho que isso fica guardado na memória, pelas histórias e pelas mensagens que os espetáculos transmitem. Este espetáculo, por exemplo, fala sobre memória e sobre as mudanças da vida, e elas se identificaram, pois perderam a avó há cerca de dois anos”, relata.
Conexão entre artistas
A noite de abertura também reuniu artistas e profissionais da cena cultural catarinense, que encontraram no festival um espaço de convivência, troca e formação. “Nós fazemos parte de um coletivo de teatro aqui de Florianópolis, o Cia Nosso Olhar, e sempre acompanhamos a programação do Palco Giratório. Além de assistir aos espetáculos, é também um espaço de encontro. Encontramos pessoas, trocamos experiências e temos a oportunidade de conhecer trabalhos que vêm de fora de Santa Catarina. O espetáculo de abertura, por exemplo, veio de Salvador, na Bahia. Isso amplia nossos horizontes e acrescenta muito à nossa formação artística”, pontua o ator Leandro Paes.
Para o ator Maurício Garcias, também membro do coletivo, a relação com o festival atravessa sua própria trajetória pessoal. “Participar do Palco Giratório é quase como uma necessidade. Costumamos brincar que é como uma dieta prescrita por uma nutricionista, só que de arte. É uma oportunidade de nos alimentarmos artisticamente, de encontrar inspiração e de renovar nossas referências. Além disso, para quem faz teatro, é uma experiência muito rica observar diferentes linguagens, estéticas e modos de criação.”
Ele lembra que sua aproximação com as artes começou justamente em experiências semelhantes. “Minha mãe é uma das maiores admiradoras do Palco Giratório que conheço. Ela foi professora de dança por muito tempo e sempre me levava aos espetáculos. E foi assim que o teatro se tornou algo familiar para mim. Sou parte de uma geração que foi impactada por iniciativas como essa, que plantam sementes e aproximam as pessoas das artes cênicas desde cedo”, lembra Maurício.
Ampliar diálogos
A capacidade de aproximar públicos diversos é um dos pilares do Palco Giratório. Para os grupos que integram o circuito nacional, a circulação representa uma oportunidade de compartilhar seus trabalhos e ampliar diálogos entre diferentes territórios culturais. “O Palco Giratório é um projeto muito importante para o campo das artes cênicas no Brasil. Para nós, tem sido muito especial compartilhar nosso trabalho em diferentes lugares e também nos locais que ainda iremos visitar”, afirma Márcio Fidelis, diretor do espetáculo de abertura “Infinito” e da Márcio Fidelis Cia. de Dança.
Diretor da Cooxia Coletivo Teatral, também responsável por “Infinito”, Guilherme Hunder Chaves destaca que a experiência transforma tanto os artistas quanto os lugares por onde o circuito passa. “Esse projeto nos atravessa de diversas formas: pela experiência da circulação, que nos permite compreender diferentes modos de produção e recepção do espetáculo, e pelas trocas estéticas que acontecem com outros grupos, artistas, espetáculos e formas de fazer arte. Tudo isso enriquece tanto o nosso trabalho quanto a cena artística de onde viemos, que é a Bahia”, afirma.
Formação de plateias
Durante a cerimônia de abertura, a diretora regional do Sesc-SC, Simone Karla da Rocha Batista, destacou a relevância do projeto para a formação de plateias e para a democratização do acesso à cultura.
“Neste ano, o Palco Giratório celebra sua 28ª edição, consolidado como uma iniciativa de referência na formação de plateias e na promoção da diversidade artística no Brasil. Com espetáculos selecionados para percorrer todos os estados brasileiros, o projeto leva teatro, dança, circo, performance e múltiplas expressões cênicas a diferentes públicos e territórios, com temas contemporâneos e de grande relevância social. Em sintonia com a celebração dos 80 anos do Sesc, o repertório desta edição convida o público a viver experiências em família, promovendo encontros entre gerações por meio da arte”, afirmou.
Para o gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, Leonardo Minervini, a curadoria desta edição busca fortalecer o encontro entre pessoas, histórias e experiências. “O Palco Giratório traz um conjunto de espetáculos, cuidadosamente selecionados por uma curadoria formada por profissionais do Sesc de todo o país, que tem como proposta reunir diversos públicos em torno de temas contemporâneos e de relevância social. O circuito celebra as artes cênicas em todo seu potencial de experiência artística que proporciona a reflexão conjunta e o fortalecimento de laços afetivos”, afirma.
Palco Giratório em Santa Catarina
Em 2026 o Palco Giratório o chegará a 30 cidades catarinenses. Além do Festival Palco Giratório em Florianópolis (03 a 19 de junho), serão realizadas as Mostras Palco Giratório para as Infâncias em Joinville (05 a 11/06), Tubarão (07 a 14/06), Lages (09 a 15/06) e Chapecó (11 a 17/06), e o Circuito Palco Giratório (18/06 a 06/07), com a itinerância de três espetáculos, chegando a 25 cidades: Palhoça, Laguna, Araranguá, São Joaquim, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Mafra, Canoinhas, Caçador, Curitibanos, Balneário Camboriú, São João Batista, Tijucas, Brusque, Blumenau, Rio do Sul, Joaçaba, Concórdia, Xanxerê, São Miguel do Oeste, São José, Biguaçu, Criciúma, Gaspar e Itajaí.
Confira os registros da abertura do Palco Giratório
Sobre o Sesc-SC
O Serviço Social do Comércio de Santa Catarina (Sesc-SC) é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Fecomércio, Sesc e Senac SC, sob a presidência do empresário Hélio Dagnoni. Desde 1946, o Sesc transforma para melhor a vida de milhares de pessoas, se destacando pelo caráter social e atuação em todo o país.
O conjunto de iniciativas ao longo destes 80 anos representa o efetivo empenho dos empresários do comércio de bens, serviços e turismo em prol da missão da Instituição de: “promover ações socioeducativas que contribuam para o bem-estar social e a qualidade de vida dos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, de seus familiares e da comunidade, para uma sociedade justa e democrática”. Entre as principais atribuições do Sesc estão o planejamento e a execução de ações marcadas pela excelência nas áreas de Educação, Saúde, Cultura, Lazer e Assistência, com vasta oferta de eventos e serviços.
A Instituição está presente em todas as regiões do estado, com 65 pontos de atendimento em 37 municípios. São 33 unidades operacionais, dez unidades do Sesc Comunidade, três meios de hospedagem, um museu, um centro cultural e seis unidades móveis, que levam serviços gratuitos a outras localidades. Além disso, conta com redes de escolas, restaurantes, clínicas, teatros, bibliotecas, academias, entre outros espaços onde desenvolve suas ações.
Educação Infantil, Ensino Fundamental, Contraturno Escolar, Educação de Jovens e Adultos (EJA), atividades de saúde preventiva, de incentivo à prática de atividades físicas e esporte, Odontologia, Nutrição, Cinema, Teatro, Música, Artes Visuais, Dança, Desenvolvimento Comunitário, Trabalho Social com Pessoas Idosas (TSPI), Trabalho Social com Grupos (TSG), compõem o amplo leque de atividades que o Sesc oferece aos trabalhadores do comércio de bens, serviços, turismo, seus familiares e à comunidade em geral. São ações que favorecem crianças, jovens, adultos e idosos e provocam reais transformações em suas vidas.
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