João Menino
“Esperar também pode ser algo bom, principalmente em um dia de sol, pois é, muitas vezes, durante a espera que a imaginação voa, brincadeiras surgem e amizades são feitas”.
Essa sinopse nos apresenta ao universo do livro "João Menino", premiado no 4º Prêmio Literário Sesc Criança, na Categoria Infantil. Escrito por Inara Moraes, com ilustrações de Elma e coordenação editorial de Nana Toledo e Pablo Lugones, o livro está prestes a chegar o público e promete tocar o coração de leitores de todas as idades, que poderão embarcar em uma jornada de reflexão sobre o tempo, a espera e a magia de transformar os momentos mais simples em experiências profundas.
Para conhecer mais sobre o processo criativo por trás dessa obra, tivemos o prazer de conversar com a equipe de "João Menino". Confira abaixo as entrevistas exclusivas que irão revelar os detalhes da criação dessa história e edição do livro.
Lançamento
O lançamento oficial de "João Menino" acontecerá no dia 13 de setembro, no Sesc Palhoça, em uma data particularmente especial: o aniversário de 79 anos dp Sesc. O evento, que integra as comemorações dessa data histórica, será realizado na biblioteca e no auditório da unidade, com a presença dos autores, ilustradores e da equipe editorial.
O evento também celebrará outros dois títulos premiados: "A queda de Ícaro", de Bruno Ricardo Gessner, ilustrado por Diogo Medeiros, vencedor na Categoria Juvenil, e "As aventuras de Pinto Júnior", de Arthur Crespi Castro (11 anos), ilustrado por Lemmmas, que recebeu Menção Honrosa.
Fique de olho no nosso site para acessar conteúdos exclusivos sobre esses livros e os bastidores de sua criação, que serão publicados até a data do lançamento.
ENTREVISTAS
Inara Moraes - autora
A escritora Inara Moraes vive em Florianópolis, na Lagoa da Conceição. É bacharel em Comunicação Social e mestre em Educação, com especialização em Educação Infantil. Atua como pesquisadora, com textos publicados sobre imaginação, infância, formação de professores e literatura. Dedica-se à escrita de livros voltados à infância e ao trabalho com leitura crítica de originais de literatura infantil e juvenil. Também atua como assessora pedagógica da educação infantil em uma escola da capital catarinense. Tem três livros publicados: "Problema que bicho tem" (Edelbra, 2018), em parceria com o escritor Caio Riter; "O que se esconde na gente" (Physalis Editora, 2023); e "O museu de Fernanda" (Pedro e João Editores, 2024).
- Quando você percebeu que queria ser escritora? Conte um pouco sobre sua trajetória.
Tenho alguns episódios que marcam de certa forma meu percurso de “querer ser escritora”, mas acho que é importante falar também que antes de ser ou querer ser escritora, ser leitora é com certeza algo que foi fundante para tudo isso. Nasci em um lugar pequeno do interior do RS e até os 10 anos meu universo era uma rua comprida com quatro casas (contando com a minha), todas de parentes.
Nesse universo de bastante acesso a mato, riacho e lavoura, também colhíamos palavras. Explico: Um avô muito contador de causos e uma avó validadora dos causos, sempre me mostraram a força da narrativa. Somado a isso, um pai que gostava muito de brincar com trava-línguas e uma mãe professora que comprava bons livros pra gente.
Lembro até hoje do dia em que li "O joelho Juvenal", de Ziraldo e lembro da sensação fortíssima de descobrir, quase que por acaso “Eu quero escrever coisas assim”. Tinha oito anos! Também lembro de descobrir na coleção Série Vagalume o livro "Zezinho, o dono da porquinha preta" e pensar: Nossa, existe um livro que fale das coisas do interior. Assim como Zezinho, eu ficava triste quando algum dos animais ia para venda ou abate.
O fato de minha mãe levar revistinhas que eu criava para ler para seus alunos também foi algo incentivador, com certeza. Indiretamente, todos incentivaram. Minha irmã mais velha também era muito leitora e por várias vezes, eu corria para tentar alcançá-la em número de páginas, quase nunca conseguia.
Outro fator marcante foi, mesmo morando no interior, estar vinculada a uma biblioteca municipal com um bom acervo e ter minha carteirinha leitora desde cedo.
- O que te inspirou a escrever essa história?
Há algum tempo eu coleciono frases de crianças e pedaços de pensamentos das infâncias. Na adolescência, descobri um livro no qual o médico foniatra Pedro Bloch, contava causos sobre seus pacientes no Rio de Janeiro. Mesmo que sem análises profundas sobre o pensamento complexo infantil, o autor me provocou a reparar no que as crianças ao meu redor falavam, visto que desde muito cedo, trabalhei como babá. O engraçado é que, mesmo tendo cursado uma faculdade de comunicação social, acabei voltando para a educação infantil e trabalhando basicamente com o pensamento da criança, dado que atuo com documentação pedagógica sobre os começos das crianças.
Essa história é fruto de tudo isso e de um evento específico: atuando na coordenação pedagógica de uma escola de Porto Alegre, acompanhei uma difícil adaptação de um menino de três anos que chorava muito a cada entardecer. Ele entendia que ao passo que o dia virava noite, sua mãe chegava e então, nas tardes longas de verão, chorava ao ver o sol se demorando e chamava muito a mãe. Um dia, ao falar com ele, falei algo como “Calma, que sua mãe vai chegar com a noite” e isso virou um evento de linguagem para mim. Achei bonita a imagem de uma mãe chegando puxada pela noite.
- Qual foi o maior desafio durante a escrita da narrativa?
Para mim, meu desafio é sempre colocar em palavras a força desse “evento de linguagem” que falei, exprimir em palavras a força poética de uma imagem que inaugura ideias na minha cabeça. E fazer isso, mantendo uma linguagem que dialoga com o leitor criança, meu leitor mais querido. Quero ritmo, mas quero ludicidade. Quero um texto que chegue quase como cantiga, mas quero narrar. Esse foi o desafio.
- Qual é a sua parte favorita do livro?
Gosto muito da parte em que falo que tia Isabel, segundo o João, “é uma criança velha”, pois essa definição para pessoas brincalhonas, com o espírito da infância vivo, foi dita pela minha filha quando tinha uns 3 anos. Sinto que ao usá-la no texto, me aproximo do pensamento infantil.
- Como foi ver suas palavras ganharem vida nas ilustrações da Elma?
Foi muito especial! Faz muito tempo que admiro o traço da Elma e sempre quis um livro ilustrado por ela. Ao ser consultada pela equipe do Sesc sobre ideias de ilustradores, lembrei que o texto solicitava o traço dela, pois existe um diálogo muito forte entre a arte dela com a primeira infância.
- Qual foi sua reação ao ver o livro pronto pela primeira vez?
Eu costumo chorar quando vejo um livro meu materializado. Na abertura do pdf já me emociono bastante, pois sempre lembro o quanto a caminhada foi longa até este momento. É uma alegria imensa.
- O que você aprendeu com essa jornada, do texto à publicação?
Toda preparação de um texto carrega muita aprendizagem. Cada retorno de revisão, comentário do editor, conversa com amigos que trabalham com leitura e escrita apontam para um olhar atento que pesca mais alguma coisa a ser melhorada. Precisamos estar abertos e ao mesmo tempo, não abandonar a força da ideia original. Saber ainda para onde se queria ir.
- O que você espera que as crianças sintam ao ler o livro?
Que o livro é a voz de alguém. E que este alguém narra algo familiar. Dá voz a um sentimento de “quero a minha mãe” e “agora!”. Mas que ao mesmo tempo, sintam o convite que o sol faz para brincar. Que o livro seja voz e convite à brincadeira.
- De que maneira a conquista do Prêmio Literário Sesc Criança impactou sua trajetória como autora e como pessoa?
A validação de uma entidade séria e cultural como o Sesc é algo incrível! Impacta diretamente no meu desejo de seguir nessa trajetória com as palavras, com uma certeza a mais, ou seja, é um reconhecimento que me mantém na escrita e no olhar para a literatura infantil.
- Depois dessa experiência, o que vem a seguir na sua trajetória?
Seguir estudando muito e escrevendo. Tendo a coragem necessária para buscar novas editoras e seguir acreditando na arte e o que ela promove no mundo, a começar pelo que promove dentro de mim.
- Se pudesse dar um conselho para a Inara criança, qual seria?
Não acredite nas ladainhas de personalidade que tentaram narrar para você. E siga acreditando na liberdade, como o Joelho Juvenal!
Elma - ilustradora
Elma é natural do Recife, Pernambuco. Cursou Serviço Social e Relações Públicas e é autora e ilustradora de livros para crianças, com mais de 60 obras publicadas, alguns deles como autora e ilustradora. Foi finalista do Prêmio Jabuti, recebeu o Selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e participou da representação brasileira na Bienal de Ilustração de Bratislava, Eslováquia. Entre seus trabalhos estão "Os casamentos da Dona Baratinha" (2019), "Areia na praia" (2017) e "Brisa na janela" (2014).
- O que te encantou na história de João assim que leu?
O que mais me encantou foi o colo dado pelo tia ao João no momento de fragilidade, e a paz (prometida e esperada) pelo colo da mãe ao chegar.
- Como foi transformar o texto da Inara em imagens?
A princípio fácil, pelo tema sensível e poético. Depois, confuso, pois segui por um caminho que colocou em dúvida a finalização do projeto. Tive que reinventar uma nova proposta seguindo a mesma ideia.
- Quais foram suas principais inspirações visuais para criar o universo do livro e que técnicas você usou nas ilustrações?
A minha principal referência visual foi a obra "Onde Vivem os Monstros", mas como falei anteriormente, não deu certo a ideia… A técnica mista (aquarela, guache, nanquim), foi a escolhida.
- Como você espera que as crianças se sintam ao olhar para as suas imagens?
Encantamento. É isso que gosto de sentir ao ter em mãos um livro. Com temas reflexivos, com persongens frágeis , fortes, intensos. Na verdade, eu sempre desejo que o leitor se identifique com/em determinada situação da narrativa, e assim se coloque como o/um personagem da história.
- Como as memórias afetivas da sua infância influenciam o seu trabalho como ilustradora?
Na minha infância tive três grandes referências: minha mãe e avó materna, ambas foram professoras. E minha avó paterna, uma grande leitora. Sempre tive colos que proporcionavam aconchegos (dengos), segurança e muitas vezes me levavam a tantos lugares e momentos através da leitura ou as histórias contadas oralmente (estas normalmente eram histórias vividas e repassadas de “boca em boca“. Eu adorava e muitas vezes pedia que fossem contadas e recontadas inúmeras vezes. Escutei muito: isso é coisa de avó (repetir as histórias já contadas)! Elas sim, foram fundamentais.
- Você tem um ritual para começar a ilustrar uma nova história?
Normalmente leio, releio e releio até que as ideias comecem a surgir. Dependendo do texto, pesquiso algo sobre o tema.
- O que te inspira hoje a continuar criando?
Desde sempre, o que me inspira são as minhas memórias. Sejam elas da minha vida e principalmente da minha infância (que apesar de alguns vazios e ausência ), nunca foi triste. Depois vieram os filhos, com eles novas descobertas e histórias. A mesma coisa com os netos. Essas memórias são determinantes na maioria dos meus processos de criação. Seja na escrita, seja na ilustração.
- Se pudesse ilustrar uma memória da sua infância, qual seria?
Ilustraria sobre as muitas lembranças que tenho das viagens a terra de minha mãe, onde passávamos todas as férias. Não pense que era um lugar fácil de se viver. Ainda é uma região muito sofrida, fica no Cariri paraibano. Mas, apesar de tanta escassez (não só de água), lá eu vivi os melhores momentos da minha vida e são os tesouros da minha infância e adolescência.
Nana Toledo e Pablo Lugones - coordenação editorial
Com uma trajetória marcada pela atuação na produção cultural, na literatura e na contação de histórias, Nana Toledo e Pablo Lugones são sócios da Gato Leitor, editora especializada em literatura para a infância, situada em Blumenau.
- Como foi o processo de coordenação editorial deste livro?
Foi uma construção feita por muitas mãos, respeitando sempre o gesto criativo das autoras.
- Quais foram os critérios para definir o formato do livro?
Os critérios foram definidos buscando referências de outras obras já editadas para o mesmo público, pensando na idade dos leitores, no estilo da narrativa textual e visual e no gosto das autoras e editores.
- A escolha das cenas a serem ilustradas é sempre um momento importante. Como foi esse processo?
As primeiras conversas foram acerca do texto, dos personagens, em que contexto e ambiente se encontravam... Quais as sensações, imagens e sentimentos reverberavam, para que a partir daí a ilustradora buscasse inspirações para as cenas. Depois dos primeiros esboços enviados, a obra foi criando forma, as cores foram se definindo e as cenas foram sendo ajustadas.
- Como se deu a colaboração entre os profissionais envolvidos, autora, ilustradora, designer, equipe do Sesc?
Acredito que todos fomos receptivos aos comentários dos outros parceiros no processo. Toda observação foi exposta e discutida em grupo.
- O que vocês esperam que o público leve dessa leitura?
Esperamos que o leitor brinque com esse sol que veio fazer companhia ao João na história, descrito pela Inara e ilustrado pela Elma, e que assim como a personagem entenda que aguardar quem se ama é sempre algo bom.
- Qual é o maior desafio e a maior alegria de editar um livro infantil como "João Menino"?
Durante o processo de edição, paciência e confiança são as palavras-chave. Desde que uma ideia é aprovada até o livro ficar pronto, passam meses. A maior alegria é que a última etapa, a impressão em gráfica, resulte no produto que os autores e todos os colaboradores estávamos esperando.
Prêmio Literário Sesc Criança
Realizado pelo Serviço Social do Comércio em Santa Catarina, o Prêmio Literário Sesc Criança nasceu para valorizar a criação literária catarinense dedicada ao público infantil e juvenil, além de ampliar o acesso ao livro e contribuir para a formação de leitores. O edital é aberto a autores do estado para inscrição de textos inéditos e de tema livre. A narrativa vencedora é publicada e distribuída gratuitamente para bibliotecas e instituições de cultura e educação.
A primeira edição, em 2019, contemplou a narrativa “O rio”, de autoria de Pedro Cunha, publicada em 2022 com ilustração de Flávia Arruda. No segundo edital, o texto selecionado foi “A voz dos meus olhos”, de Cynthia Valente, ilustrada por Fernando Zenshô e publicada em 2023. Na terceira chamada foi contempado o livro “A girafa míope”, de Marcello Gallotti, com as ilustrações de Fê.
Em 2025, serão lançados os premiados na quarta edição: "João menino”, de autoria de Inara Moraes, com ilustrações de Elma (Categoria Infantil), "A queda de Ícaro”, escrito por Bruno Ricardo Gessner e ilustrado por Diogo Medeiros (Categoria Juvenil), e "As aventuras de Pinto Júnior”, de Arthur Crespi Castro (11 anos), com ilustrações de Lemmmas (Menção Honrosa).
Sobre o Sesc-SC
O Serviço Social do Comércio (Sesc) é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Fecomércio, Sesc e Senac - sob a presidência do empresário Hélio Dagnoni. Desde 1946, o Sesc transforma para melhor a vida de milhares de catarinenses, se destacando pelo caráter social e atuação em todo o país.
O conjunto de iniciativas ao longo destas sete décadas e meia representa o efetivo empenho dos empresários do comércio de bens, serviços e turismo em prol da missão da Instituição de: "promover ações socioeducativas que contribuam para o bem-estar social e a qualidade de vida dos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, de seus familiares e da comunidade, para uma sociedade justa e democrática".
Entre as principais atribuições do Sesc estão o planejamento e a execução de ações marcadas pela excelência nas áreas de Educação, Saúde, Cultura, Lazer e Assistência, com vasta oferta de eventos e serviços. A Instituição está presente em todas as regiões do Estado, com 32 unidades operacionais, três meios de hospedagem e nove quadras do projeto Sesc Comunidade, além das redes de escolas, restaurantes, clínicas, teatros, bibliotecas, academias entre outros espaços, onde realiza suas ações.
Educação Infantil, Ensino Fundamental, Contraturno escolar, Educação de Jovens e Adultos, Pré-vestibular, atividades de saúde preventiva, de incentivo à prática de atividades físicas e esporte, Odontologia, Nutrição, Cinema, Teatro, Música, Artes Visuais, Dança, Desenvolvimento Comunitário, Trabalho Social com Idosos, Trabalho com Grupos compõem o amplo leque de atividades que o Sesc oferece aos trabalhadores do comércio de bens, serviços, turismo, seus familiares e à comunidade em geral. São ações que favorecem crianças, jovens, adultos e idosos e provocam reais transformações em suas vidas.
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