Por vezes, ouvimos uma criança dizer que está com medo, angustiada ou muito preocupada. Em outros momentos, ela demonstra seu sofrimento por meio da irritabilidade, de dificuldades para dormir ou até de queixas físicas, como dores de barriga sem causa aparente. Diante dessas situações, surge uma dúvida comum entre pais e responsáveis: isso é normal da idade ou pode ser ansiedade?
É importante compreender que a ansiedade não é algo ruim. Ela é uma resposta natural do corpo, criada para nos proteger diante de situações que percebemos como desafiadoras, novas ou ameaçadoras. Em muitos momentos, ela é esperada e até necessária.
Na infância, porém, a ansiedade pode se manifestar de diferentes formas. Uma criança pode sentir medo do escuro, de ficar longe dos pais ou até mesmo de figuras imaginárias. Dependendo da fase do desenvolvimento, essas reações são consideradas esperadas e fazem parte do processo de crescimento emocional.
O que é ansiedade infantil?
A ansiedade infantil é uma reação emocional caracterizada por preocupações, medos ou inseguranças que podem surgir diante de situações novas, desafiadoras ou percebidas como ameaçadoras. Em níveis adequados, ela faz parte do desenvolvimento e ajuda a criança a lidar com diferentes experiências.
Costuma aparecer como uma preocupação antecipada, muitas vezes intensa, diante de algo que ainda nem aconteceu. É como se a mente estivesse constantemente em alerta.
O ponto de atenção surge quando esse medo ou preocupação começam a interferir na rotina da criança, com a presença de dificuldades para dormir, evitar a escola, irritabilidade excessiva, crises de choro, dores físicas frequentes ou sofrimento emocional intenso.
A ansiedade não acontece por um único motivo. Ela costuma ser resultado de diferentes fatores que se combinam. As experiências vividas pela criança têm impacto importante no desenvolvimento emocional. Mudanças, conflitos familiares, perdas, cobranças excessivas, inseguranças ou situações difíceis podem influenciar a forma como ela aprende a lidar com emoções.
O ambiente também faz muita diferença. Crianças precisam de segurança emocional, previsibilidade, afeto e limites consistentes. Famílias que favorecem diálogo, acolhimento e vínculo seguro ajudam no desenvolvimento de recursos emocionais mais saudáveis. Ao mesmo tempo, excesso de proteção, tensão constante, críticas frequentes ou pouca disponibilidade emocional podem aumentar a vulnerabilidade à ansiedade.
A ansiedade não afeta apenas a parte física do nosso corpo, mas também a cognitiva. Crianças com ansiedade podem apresentar alterações na concentração, sendo bem mais difícil para elas se concentrarem, o que acaba prejudicando a sua capacidade de assimilar novos conteúdos, afetando o seu desempenho escolar.
Sintomas comuns da ansiedade infantil
Geralmente a criança não consegue comunicar o que sente e muito menos expressar: “estou ansiosa”. Muitas vezes, ela demonstra através do comportamento e de alguns sintomas comuns de ansiedade infantil, como por exemplo:
• medo excessivo;
• dificuldade para se separar dos pais;
• choro frequente;
• irritabilidade;
• alterações no sono;
• dores de barriga ou dor de cabeça sem causa médica aparente;
• dificuldade de concentração;
• recusa escolar;
• preocupação exagerada.
Em alguns casos, podem acontecer crises mais intensas, com sensação de falta de ar, palpitação ou muito medo.
Quando se trata de ansiedade infantil, não se considera apenas o comportamento da criança, mas toda a dinâmica emocional ao redor dela. A forma como os adultos lidam com emoções, conflitos e estresse também ensina, diariamente, estratégias emocionais às crianças.
É fundamental adotar uma abordagem acolhedora e sem julgamentos. Ficar na altura da criança e fazer algumas perguntas norteadoras são atitudes que podem ajudá-la a nomear o que está sentindo, permitindo que ela se sinta acolhida ao expressar suas emoções:
“Você gostaria de contar o que está te preocupando?” “Estou aqui para te ouvir.” “Vamos tentar entender isso juntos?” “Você quer um abraço ou um colo?”
Mais do que oferecer soluções imediatas, as crianças precisam sentir que não estão sozinhas no que sentem.
Se a ansiedade está causando sofrimento intenso ou interferindo na rotina, é importante buscar apoio profissional. A psicoterapia ajuda as crianças a reconhecerem as suas emoções, a desenvolver estratégias de enfrentamento, fortalecer autoestima e aprender formas mais saudáveis de lidar com medos e preocupações. Além disso, o acompanhamento também oferece orientação às famílias, fortalecendo o ambiente emocional da criança.
Quando existe acolhimento, escuta e apoio adequado, a criança consegue aprender a lidar melhor com suas emoções, fortalecendo seus recursos internos para um desenvolvimento emocional saudável.
Promover o desenvolvimento integral das crianças também significa cuidar de suas emoções. Nesse sentido, o Sesc SC atua de forma contínua na promoção da saúde e da qualidade de vida, oferecendo ações educativas e de orientação que contribuem para o fortalecimento das famílias e para a construção de ambientes mais acolhedores e saudáveis para o crescimento infantil.
Thais Cristina Kunz de Moraes - CRP 12/19295
Psicóloga Clínica do Sesc Concórdia
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