“Momento Bilíngue” do Sesc Ler Tijucas realizou atividade que mescla saberes linguísticos e culturais

Os alunos discutiram sobre a pluralidade de tons de pele e a diversidade do povo brasileiro


17/11/2023 - Atualizado em 17/11/2023 - 4433 visualizações

Momento Bilíngue

“- Professora, eu não tenho cor de pele!  
- Hummm!! E qual seria?” 

Este diálogo foi o propulsor para a professora Adriana Adolfo desenvolver junto as crianças da Educação Infantil do Sesc Tijucas, durante os momentos bilíngue, o projeto Skin Colors (Tons de Pele) - The colors of us (as nossas cores). A professora de língua inglesa levou em consideração de que se queremos uma sociedade mais diversa e inclusiva, precisamos ouvir a criança e a partir da curiosidade e interesse dela elaborar contextos de aprendizagens, dando espaço ao protagonismo infantil.  

É comum, ao colorir um desenho de uma pessoa, crianças dizerem: “Professora, eu não tenho cor de pele!”. A partir desse exemplo, se pode refletir sobre o porquê de – por muito tempo – apenas uma cor específica era chamada de “cor de pele”, uma cor imposta, ou seja, o estereótipo.    

No entanto, o tom de pele não se resume a branco e preto. Somos a mistura das cores, cultura e por isso somos diversos. Percebendo a importância e necessidade de sensibilizar as crianças para a percepção e o destaque que não existe só uma cor de pele, aproveitei a oportunidade temática.

“Não se pode mais ficar só no discurso, precisamos partir para a prática. O professor deve estar atento para que a sensibilização seja continua e a qualquer momento, a qualquer tempo.” – diz Adriana.

Durante todo o trimestre às crianças vivenciaram propostas para que elas, por si só ou em pares, construíssem conceitos e percepções sobre a diversidade. 

Pedir para a criança olhar ao redor e comparar se todos têm a mesma cor é um importante passo para que as crianças possam refletir sobre perfis impostos como um padrão, frente à diversidade do povo brasileiro”, complementa a professora.    

As crianças manipularam riscantes e tintas, produzindo diversos tons de pele, e especialmente passaram a representar a figura humana de forma mais representativa, com vários tons de cor de pele, identificando as pessoas como negros, negras, pardas, brancos, brancas, entre outras, sem receio, sem achar engraçado.  

Produziram cartazes reflexivos e, principalmente, demonstrando através dos diálogos um discurso inclusivo e natural. 

“É na educação infantil que tudo começa”, complementa a coordenadora pedagógica Berenice Sant’Anna Cota.

“Na primeira infância, as crianças estão em constante processo de desenvolvimento e as descobertas, afetos e experiências são levados para toda a vida. É sabido que o convívio escolar, desde cedo, contribui para a igualdade de oportunidades.

As crianças, quando juntas, não são somente um grupo de crianças, mas sim uma categoria social ativa e criativa e que em contato das crianças uma com as outras, são capazes de transformar, desconstruir e construir as explicações existentes sobre ela e sobre o mundo à sua volta e isto é o que preconiza nossa proposta pedagógica.”, conclui.  

Colaboração: Berenice Sant’Anna Cota, Coordenação Pedagógica Sesc Ler Tijucas.